O feijão e o Tamagochi

* Mauro Messias Alvim

Já se fizeram filmes aos montes onde o computador domina a raça humana, o que ainda é ficção. Parece que não demora a se tornar realidade e o avô desses computadores que nos dominarão, creio que já tem um nome: "Tamagochi". Raro, hoje em dia, não ver uma criança atenta a este dinossauro virtual que, sem hora para nada, é capaz de fazer com que elas se esqueçam seus afazeres para se dedicarem a ele, e até mesmo virem a chorar quando este "amiguinho" morre. Provem-me que estou enganado, se tal não deixa de ser uma forma de alienação, ou tornar alguém escravo de uma máquina.
Posso até parecer radical em relação a esta nova mania, mas ao mesmo tempo reflito que virou raridade vermos crianças brincando de roda, esconde-esconde, bolinha de gude, etc. Brincadeiras que nós os quarentões ainda tivemos oportunidade de curtir, quando crianças, numa época em que não existiam os games computadorizados.
Quando minha filha me pediu um tamagochi de presente, decidi lhe dar um outro amiguinho que estava bem ao seu alcance, e do qual ela poderia cuidar com todo carinho e vê-lo crescer, ou seja, um grão de feijão. Ensinei-a a plantá-lo no algodão, regá-lo, deixá-lo no sol, etc. Foi gratificante ver o sorriso da garota quando esta viu seu amiguinho se desenvolver e morrer para dar lugar a uma planta! E, melhor ainda, tudo isto aconteceu sem ser necessário de que ela se esquecesse dos seus deveres para se preocupar com os desejos e pedidos deste seu amiguinho, ao contrário do virtual que, quando quer ou precisa de algo, não poupa os ouvidos de ninguém e, se seu pedido não for aceito, ele morre.
Alguém me responda se estou certo ou errado em não incentivar minha filha a seguir a nova mania da sua geração. Ao contrário, preferi incentivá-la a observar a natureza que, hoje em dia, tanto se fala em preservação do meio ambiente mas são poucos os adultos que fazem por onde. Ora! Se são as crianças quem herdarão nosso planeta, não seria melhor mostrar-lhes que, mais amigos que os tais bichinhos virtuais (que só pedem ), é a natureza, as plantas e as flores que nos retribuem pelo carinho que dispensarmos a estas?
De ficção e fantasia já bastam nós os adultos que crescemos junto com a informática, o que nos leva sempre a sonhar com alguma máquina ou algum santo remédio que irá curar todos os males da sociedade. Melhor seria ensinar às crianças o que desaprendemos, ou seja, estar com o pé na terra e não plugado num chip.

* Dramaturgo

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