Resumo
Os povos tradicionais, possuem um vasto conhecimento sobre a natureza e uma rica cultura que fora adquirido ao longo de várias gerações.Tais conhecimentos são de extrema importância para as diversas áreas da ciência tais como a sociologia, antropologia, biologia e entre outros.Devido ao fato destes povos possuírem uma dependência da natureza para a sua subsistência, estes, possuem uma íntima relação com esta e logo, um grande conhecimento e maneira diferente de usá-la e manejá-la; ou seja, eles utilizam os recursos que a natureza os oferece de forma sustentável já que sua sobrevivência depende diretamente dela.Tais conhecimentos, muitas das vezes são de total desconhecimento para os cientistas e de grande valia para se desenvolver medidas sustentáveis a partir de tais saberes, ainda mais se tratando do caos ambiental em que nos dias atuais estamos enfrentando.

Abstract
The traditional peoples, possess a vast knowledge on the nature and a rich culture that are acquired throughout some generations. Such knowledge are of extreme importance for the diverse areas of science such as sociology, anthropology, biology and among others. Had to the fact of these peoples to possess a dependence of the nature for its subsistence, these, possess a close relation with this soon and, a great knowledge and different way to use it and to manage it; that is, they use the resources that the nature offers them of sustainable form since its survival depends directly on it. Such knowledge, many of the times are of total unfamiliarity for the scientists and great value to develop themselves measured sustainable from such to know, still more if treating to the ambient chaos where in the current days we are facing.

Introdução
Segundo o artigo 3º, do Decreto nº 6040, de 7/02/2007, entende-se povos e comunidades tradicionais como grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.
Segundo Martínez(2000),as etnociências é um campo interdisciplinado que estuda as relações que se estabelecem entre as comunidades-especialmente sociedades tradicionais, aborígenes e camponeses-e o mundo natural.As etnociências partem da liguística para estudar os saberes das populações humanas sobre os processos naturais, tentando descobrir a lógica subjacente ao conhecimento humano do mundo natural, as taxonomias e classificações totalizadoras(Diegues e Arruda,2001).As etnociências, dividem-se em vários campos de pesquisas, entre os quais, pode-se destacar a etnobotânica e a etnoecologia para o desenvolvimento de medidas sustentáveis pois a partir dos conhecimentos tradicionais adquiridos com as populações tradicionais, pode-se aplicá-los para solucionar problemas comunitários ou para fins conservacionistas(Beck & Ortiz,1997) e também contribui para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento sustentável(Toledo,1992).
Um aspecto importante é que as etnociências têm sistematizado a riqueza de conhecimentos biológicos e ecológicos pelo povos tradicionais e contribuído também para chamar a atenção dos cientistas e sociedade para as potencialidades dos povos tradionais(Amorozo, 2005).

Os conhecimentos tradicionais
"São considerados conhecimentos tradicionais todos os elementos intangíveis associados à utilização comercial ou industrial das variedades locais e restante material autóctone desenvolvido pelas populações locais, em colectividade ou individualmente, de maneira não sistemática e que se insiram nas tradições culturais e espirituais dessas populações, compreendendo, mas não se limitando a conhecimentos relativos a métodos, processos, produtos e denominações com aplicação na agricultura, alimentação e atividades industriais em geral, incluindo o artesanato, o comércio e os serviços, informalmente associados à utilização e preservação das variedades locais e restante material autóctone espontâneo abrangidos pelo disposto no presente diploma”(Artigo 3º do decreto 118/2002).
Recentemente, os cientistas e profissionais de diversas áreas começaram a se interessar cada vez mais pelos conhecimentos tradicionais pelo fato deles representarem uma fonte potencial de lucros. O aumento do valor das patentes,fez despertar o interesse destes profissionais por tais fontes de conhecimento que tanto são materias quanto imaterias.Um grande número de patentes foram outorgadas para recursos e saberes genéticos obtidos de países em desenvolvimento, sem o consentimento dos detentores desses saberes e recursos; ou seja, os verdadeiros detentores de tais conhecimentos acabam por não receberem os benefícios de tais conhecimentos por eles adquiridos através das várias gerações.

Proteção aos conhecimentos tradicionais
Ainda não há de fato uma legislação específica que se refira à proteção dos conhecimentos tradicionais .Através da Medida Provisória 2.186-16, de 23/08/01, com força de lei, o Governo Federal dispôs “sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição dos benefícios e o acesso à tecnologia e a transferência de tecnologia para sua conservação e utilização”. No ano de 2003, foi elaborado o Anteprojeto de Lei de Acesso aos Recursos Genéticos de Proteção aos Conhecimentos Tradicionais, com a participação de diversos setores entre os quais , Organizações não-governamentais, representadas pelo Instituto Socioambiental(ISA).
O Brasil, como signatário da Convenção sobre Diversidade Biológica(CDB),que representa um dos principais acordos derivados da Rio-92, tem como obrigação a regulamentação do acesso aos recursos genéticos de proteção aos conhecimentos tradicionais.
O CDB, vai além da conservação e utilização sustentável da diversidade biológica; abrange também o acesso aos recursos genéticos,objetivando a repartição justa e equitativa dos benefícios gerados pelo seu uso, incluindo a biotecnologia.
Porém, se por um lado temos a CDB que estabelece princípios de repartição justa e eqüitativa dos benefícios, valorização dos conhecimentos tradicionais entre outros;por outro temos o sistema de patentes do TRIPS(Tratado Sobre os Direitos de Propriedade Intelectual), que protege, assegura monopólio e propriedade àquele que detém e desenvolve novas tecnologias e produtos, inclusive os oriundos da biodiversidade acessada por meio de conhecimento tradicional.O acordo TRIPS, é tratado internacional criado pela Organização Mundial do Comércio, em 1994.

As etnociências
As etnocioências está entre os enfoques que mais têm contribuído para o estudo dos conhecimentos das populações “tradicionais”.Partindo da linguística para estudar os saberes das populações humanas sobre os processos naturais, tentando descobrir a lógica subjacente ao conhecimento humano do mundo natural, as taxonomias e classificações totalizadoras. A etnoecologia utiliza conceitos da lingüística para investigar o meio ambiente percebido pelo homem. (Posey, 1987; Gómez-Pompa, 1971; Balée, 1992; Marques, 1995).
Diversos são as linhas de pesquisa das etnocioências que contribuem para o estudo conhecimento tradicional .Este as pesquisas são realizados por profissionais das mais diversas áreas do conhecimento;p.ex;temos a etnobiologia, etnosociologia,etnobiologia e entre outras .Como fora dito anteriormente, neste trabalho o enfoque será dado à etnobotânica e à etnoecologia.

Etnobotânica
Segundo Amorozo,M.C.M(2002), a etnobotânica aborda a forma como diferentes grupos humanos interagem com a vegetação.Deste modo, interessam-nos tanto as questões relativas ao uso e manejo dos recursos vegetais, quanto a sua percepção e classificação pelas comunidade locais.
A etnobotânica, compreende o estudo das sociedade humanas, passadas e presentes, e suas interações eclógicas, genéticas, evolutivas, simbólicas e culturais com as plantas.Pesquisas nesta área facilitam a determinação de práticas ao manejo da vegetação com finalidade utilitária, pois empregam os conhecimentos tradicionais obtidos para solucionar problemas comunitários ou para fins conservacionistas(Beck & Ortiz,1997).
Para Amorozo,a interferência humana na vegetação depende da intensidade de uso e manejo, podendo vir a causar graus variados de modificação tanto no que diz respeito à paisagem, quanto com a relação a populações de espécies individuais.Assim costuma-se reconhecer desde paisagens”intocadas” até aquelas completamente dosmeticadas.A manipulação de ambientes pelas populações tradicionais, por sua vez, ainda precisa melhor conhecida , e constitui um tema que merece investigação aprofundada , por sua complexidade.
As populações tradicionais, ainda tedém grande quantidade de informações inexploradas pelas ciência oficial, sobre a forma de lidar com ambientes biologicamente diversificados, e que podem ser muito úteis para a compreensão destes ecossistemas e para o desenvolvimento de práticas menos predatórias ao meio; ou seja, tais conhecimentos são de fundamental importância para o desenvolvimento de práticas sustentáveis.


Etnoecologia
A etnoecologia, utiliza conceitos da linguística para investigar o ambiente percebido pelo ser humano(Gómez Pompa, 1971; Baleé, 1992; Marques, 1995), partindo do pressuposto de que as informações de que as pessoas possuem sobre o seu ambiente, e a maneira pela qual ela categorizam estas informações, vão influenciar seu comportamento em relação ao mesmo(Adams,2000).Também, pode efetivamente contribuir para a conservação de diversidade biológicas e cultural.Segundo Nordi et al(2001), desvendar, compreender e sistematizar cientificamente, todo umconjunto de teorias e práticas relativas ao ambiente, oriundas de experimentação empírica do mesmo por culturas tradicionais, indígenas ou autóctones.
Para Toledo(1992), a etnoecologia contribui para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento sustentável, uma vez que investiga formas peculiares de conhecimento ecológico e a clasificação, interpretação e manejo da natureza não são restritos ou originários apenas do saber sistematizado, mas científico.
Teorias conservacionistas x povos tradicionais
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação-SNUC, divide-se em dois grupos:unidades de proteção integral e unidades de uso sustentável.
As áreas de proteção integral, são áreas de uso indireto , ou seja, são áreas em que não envolve o consumo, coleta, dano ou a destruição dos recursos naturais(artigo 2º da lei nº9597 de 18 de Julho de 2000), não admitindo portanto, a presença de moradores, nem mesmo sendo a de populações tradicionais.
A preservação da cultura e dos saberes tradicionais, depedem da manutenção destes povos em seu lugar de origem.Quando estes povos, são retirados de seu lugar,corre-se o risco de sua cultura se perder devido à perda de contato com a natureza e também, os indivíduos ficam suscetíveis a enfrentar situações traumáticas e problemas da sociedade moderna. Já as unidades de uso sustentável, tidas como áreas de uso direto, conciliam a preservação da biodiversidade e dos recursos naturais com o uso sustentado , estabelecendo modelos de desenvolvimento.

Considerações finais
É de suma importância a contribuição que as populações tradicionais têm a oferecer à sociedade e às ciências ;mas para que a cultura e o conhecimento cheguem a nós, é necessário que estes sejam protegidos e que também tenham o direito de permanecer em seu local de origem.
Também se faz necessário, que sejam fizcalizados se realmente estão sendo cumpridas as medidas de proteção a estes povos.Outro ponto importante, é a difusão e troca de saberes entre estes povos e a sociedade, podendo-se ser realizadas através de palestras e amostras em escolas, museus e entre outras instituições.

Bibliografia
Modernidade não dá espaço a saberes tradicionais - www.reporterbrasil.com.br- Disponível em 1/04/2005
"Populações tradicionais" e a proteção dos recursos naturais em unidades de conservação-Rinaldo Arruda
"Os conhecimentos tradicionais"- http://pimentanegra.blogspot.com/2005/03/os-conhecimentos-tradicionais.html-Disponível em 28/03/2005
"Etnoecologia e conservação em áreas protegidas naturais:incorporando o saber local na manutenção do Parque Nacional do Superagui"- http://www.bdtd.ufscar.br/tde_arquivos/2/TDE-2004-02-27T13:46:27Z-7/Publico/DissNNPJ.pdf
Unidades de conservação de proteção integral -http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/arpa/unid/protint/index.cfm
Unidades de conservação de uso sustentável-http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/arpa/unid/unid_us/index.cfm
Unidades de Conservação-SNUC- http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./snuc/index.html&conteudo=./snuc/categorias1.htm
Etnomedicina: entre el saber popular- http://www.ffyh.unc.edu.ar/alfilo/alfilo-10/investigacion.htm
y el conocimiento científico
Saberes tradicionais e biodiversidade(2001)-Ministério do Meio Ambiente-Organizado por Antonio Carlos Diegues e Rinaldo S.V. Arruda
"Envolvimento sustentável e conservação das florestas brasileiras"- http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X1999000200021-Disponível em July/Dec. 1999

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