As cidades que queremos

texto extraído do easycoop - cooperativismo em revista
 

As cidades que queremosPor Arnaldo Jardim


Poluição do ar, rios e córregos, trânsito caótico, enchentes, lixo acumulado, ocupações irregulares, moradores de rua, violência... Sintomas de um modelo de crescimento desordenado, causado por um processo acelerado de urbanização que nunca se pautou pelo planejamento ou gestão, tampouco pela integração sustentável entre Homem & Ambiente.  


Realizei o seminário “Cidades e Metrópoles Sustentáveis”, no último dia 07/02, ocasião em que tivemos a participação do Secretário Estadual de Meio Ambiente (SEMA), Bruno Covas, além de palestras do Prof. Dr. Arlindo Philipi Jr. – Livre docente em Política e Gestão Ambiental – USP; Fabio Feldmann – Advogado Ambientalista; Andrea Vialli – jornalista de sustentabilidade do jornal O Estado de São Paulo; e de Rubens Rizek – Secretario Adjunto da SEMA.


Um discurso unissono cobrou uma enfase maior da questão urbana nos debates nacionais e internacionais, haja vista, a proximidade da reunião do C40 (Climate Leadership Group) que acontece  entre os dias 31/05 a 02/06, na capital paulista, além da Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece na cidade do Rio de Janeiro, em 2012.


Entre os temas que merecem destaque estão:

Mobilidade, transporte, trânsito e acessibilidade - Dispor de políticas que desestimulem o uso do veículo dentro das cidades; estimular a intermodalidade no transporte de passageiros e cargas; incentivar a implantação de ciclovias; regionalizar a gestão do trânsito.


Uso e ocupação do solo - Praticar políticas de uso e ocupação do solo que reduzam impermeabilização; criação de novas áreas de lazer; identificar e monitorar espaços verdes públicos por micro-regiões urbanas;  práticas agrícolas e manejo ecológico do solo voltadas a preservação ambiental.


Gestão e Conservação da Água - Tratamento e destinação adequada de todo o esgoto industrial e residencial; recuperação da mata ciliar e despoluição dos rios e córregos; uso racional da água e combate ao desperdício.


Gestão de Resíduos Sólidos - Políticas de redução de resíduos sólidos, associada a prática da coleta seletiva em larga escala, com foco na reutilização e reciclagem; fim dos lixões a céu aberto e implantação de aterros sanitários controlados, fazendo a combustão do metano.


Consumo Sustentável - Precisamos de um padrão de consumo sustentável, por meio da sua redução e estímulo a produtos de origem sustentável, aliados ao fim do desperdício e o exercício da prática dos 4Rs.


Cidadania e conforto urbano – Implantar uma gestão pautada pelo desempenho de indicadores socioambientais: IDH, analfabetismo, longevidade, presença de doenças da pobreza (de disseminação por vetores e veiculação hídrica) dentre outros; atender as necessidades básicas como saúde, educação, lazer, segurança; buscar um desenvolvimento econômico comprometido com inclusão social e integrado com o meio ambiente.


Já existe, por exemplo, a Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis e a Rede Nossa São Paulo - organizações apartidárias e inter-religiosas da sociedade civil – que desenvolveram a "Plataforma Cidades Sustentáveis", que apresenta um compilado de múltiplas práticas de sustentabilidade urbana em vigência em diversas cidades do mundo - http://www.cidadessustentaveis.org.br.


O desafio de estabelecermos cidades e metrópoles mais sustentáveis é urgente. Acredito que com vontade política e a participação efetiva da sociedade, exercendo plenamente a sua cidadania ambiental, podemos vislumbrar cidades sustentáveis, planejadas e modernas.

Nota do Bloguista: 


Embora o texto seja de qualidade e uma excelente reflexão do autor, algumas perguntas ficam no ar é: será se temos politicos, sociedades empresas e indivíduos responsáveis que tomem uma atitude em prol da luta pela qualidade de vida dos indivíduos e das demais espécies de organismos? como diminuir  a ideia de consumo se os jornais e televisões maciçamente nos empurram para as compras a todo instante como promoções, prestações a longo prazo, e a idéia que o velho não presta. Tem que ser novo!

Não dá mais. a sociedade consumista não tem interesse em diminuir seu consumo, mesmo porque a ideia de ter nos leva além do prazer, ser moderno é comprar e comprar. Ajudar ao próximo quase não fazemos e quando temos alguma consciencia sobre isso, pensamos em dar o mínimo para continuarmos com nosso "ideal consumista". 

Mas porque tratar da expressão consumista? porque ela é parte de uma prática social que requer pensamento ético de compromisso consigo mesmo e com os demais. Não posso dizer que um politico é mais importante que um lixeiro. Ambos tem funções primordiais para nossa sociedade. o primeiro DEVERIA cobrar maior responsabilidade do poder público em usar nosso dinheiro de forma correta, melhorar o saneamento básico nas cidades, construção de novas e melhores escolas que comprometam com a qualidade do ensino voltado para valores humanos, melhoramento nas vias de acesso, transporte e todas as demais coisas faladas neste texto. Já o lixeiro, na sua função social, evita a proliferação de doenças nas cidades, mal cheiro e outros animais que possam competir conosco pelo espaço e alimento. 

Desta forma, concluo que uma cidade que na verdade queremos só poderá atingir um grau de sustentabilidade se homogenizarmos valores, salários, espaços e distribuição de serviços A TODOS sem distinção. 

Pensem nisso.

Ronaldo Gomes Alvim


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