Alta acidez dos oceanos ameaça as ostras

Reportagem: Estado de Minas
 
Publicação: 11/11/2011 09:22 Atualização:
 

 (REUTERS/Hans Deryk)
 O aumento da acidificação dos oceanos coloca em risco uma das iguarias mais apreciadas pelos gourmets: as ostras. Uma pesquisa da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, a ser publicada este mês na revista Nature Geoscience constatou que a alteração do pH das águas costeiras pode comprometer a habilidade de ostras e outros animais marinhos de formar e manter suas conchas, sem as quais não conseguem sobreviver.

Os pesquisadores descobriram que o efeito combinado dos fertilizantes levados pelo Rio Mississipi, nos Estados Unidos, até o Golfo do México, e do excesso de dióxido de carbono da atmosfera resultou em um inesperado aumento da acidez nessa região. “Até agora, os cientistas se preocupavam apenas com a baixa quantidade de oxigênio na costa”, diz Wei-Jun Cai, professor de ciências marinhas da UGA Franklin College of Arts. “Basicamente, nosso artigo diz que não temos que nos preocupar apenas com as baixas taxas de oxigênio. Também precisamos nos concentrar na acidificação.”

Quando águas lacustres ricas em nutrientes obtidos de fertilizantes entram na costa marinha, o fitoplâncton começa a florescer. Com a morte das algas, esses organismos afundam e se decompõem, lançando dióxido de carbono e diminuindo a quantidade de oxigênio na água. O carbono dissolvido reage com o mar, o que deixa a água mais ácida. Segundo os pesquisadores, a acidez do oceano também aumenta quando o excesso de dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis é absorvido do ar pela superfície do mar. A combinação dessas duas fontes de carbono diminui a capacidade de o oceano neutralizar a acidez.

Habilidade perdida À medida que a água se torna mais ácida, criaturas que formam esqueletos ou conchas a partir do carbono — de amebas unicelulares a ostras e corais — tornam-se menos hábeis em produzir e manter suas estruturas rígidas. Se a acidez das águas costeiras continuar a aumentar, Cai prevê que, até o fim deste século, esses seres marinhos não consigam mais formar conchas. “Muitos de nossos recursos pesqueiros, especialmente ostras, estão concentradas em áreas onde rios deságuam na costa, como o nordeste do Golfo e o leste do Mar da China. Portanto, esses locais estão em risco”, afirma James T. Holligaugh, que também assina o artigo. “E, claro, que isso traz implicações à cadeia alimentar marinha.”

Embora a pesquisa tenha focado as águas costeiras do Golfo do México, os pesquisadores dizem que a realidade detectada pode ser ampliada globalmente. No Rio Changjaing, o maior da Ásia, eles encontraram os mesmos resultados. Para minimizar futuros danos à costa dos oceanos, Cai e os coautores do artigo recomendam que fazendeiros manejem os fertilizantes de forma sustentável e que a sociedade limite o uso de combustíveis fósseis. De acordo com o pesquisador, o próximo passo é explorar os padrões sazonais da acidificação e sua influência no ecossistema costeiro.

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