Uma vida sustentável


Prezados leitores. 
Coloco esta história  como um exemplo de sustentabilidade. Um tema que todos sonham em alcançar e não sabem como executar. 
Este relato é um dos vários que são encontrados na internet que mostam: ser feliz é uma concepção de vida e não de aquisição de bens como nos vendem a ideia na televisão.

Menos dinheiro para uma vida mais rica  

Giuliana Capello - 03/07/2012 às 07:00

Edição: Vida sustentável. 


Sou fã de carteirinha das trocas de saberes. Também adoro as trocas de produtos, usados e novos, que evitam armários entulhados de coisas que não têm mais utilidade e, ao mesmo tempo, combatem a geração de lixo. Aqui na ecovila, nas últimas semanas, tive vários exemplos interessantes de como podemos enriquecer nossas vidas sem precisar correr atrás de dinheiro ou perder tempo com um trabalho sem sentido para garantir nosso status de consumidores.
Ontem mesmo tive um gostoso exemplo. Uma vizinha veio usar a internet aqui em casa (por enquanto, meu escritório é o único lugar da comunidade com acesso à rede, e por isso mesmo está sempre aberto para quem precisa). Ao sair, ela me perguntou se seria possível praticarmos yoga juntas, no final da tarde. Ela soube que eu estava fazendo um curso para poder dar aulas e veio me pedir. Adorei a ideia e marcamos às 18h.
Pedi a ela que avisasse outra vizinha, que certamente gostaria de participar. Não deu outra. A lua cheia, linda, esplendorosa deve ter inspirado outras pessoas da comunidade, que ficaram sabendo da prática e apareceram também. Resumo da história: afastei alguns móveis da sala e, quando me dei conta, estávamos em dez pessoas, cada uma no seu tapetinho, e sem apertos! Foi muito bom poder compartilhar um pouco do que aprendi nesses anos.
Depois da prática, saímos na varanda para contemplar a lua. Ficamos ali por alguns minutos, até que o pessoal começou a querer ir embora. Foi então que mostrei, logo na entrada da sala, duas estantes de livros para doação, que organizei dias atrás para facilitar o manuseio, antes mais bagunçado, em caixas de papelão. Um amigo, que é grafiteiro, quis logo saber se havia livros de arte. Sorte a dele: Modigliani, Di Cavalcanti, Dalí, Claudio Tozzi, livro de arte mexicana e fotografias urbanas, mais uns oito nomes, talvez. Levou todos, feliz da vida. Eu adorei. Liberei espaço na estante e deixei um amigo com um sorriso bobo estampado no rosto.
Semanas antes, um casal de amigos e mais duas amigas, todos da comunidade, também acharam o máximo escolher alguns exemplares. Era dia de reunião mensal na ecovila e havíamos marcado um bazar de trocas para o período da tarde. Mas o pessoal estava meio cansado, uns haviam esquecido as coisas, enfim, não deu certo. Ou melhor, na verdade, deu certo sim. Somente eu e duas outras amigas estávamos munidas de roupas e livros para trocar. Nos reunimos aqui em casa. Para ser sincera, eu só queria doar, sem receber nada em troca. Estou numa fase de exercitar o desapego, tirar os excessos da casa, ou seja, tudo aquilo que fica parado, sem uso, por mais de seis meses.
Eu tinha uma sacola de roupas e três caixas de livros. Bom, no final, fiquei com duas calças e um short jeans, que serviram direitinho e serão bem úteis. Aliás, um fato interessante: este ano não comprei nenhuma peça de roupa e mesmo assim estou com várias novidades no armário. Tudo doado por amigas daqui. E isso nem chegou a abarrotar o guarda-roupa, já que, semanas antes, minha sobrinha havia levado uma sacola inteira de roupas minhas… Doei um tênis para uma vizinha, umas dez peças para outra, e até perdi a conta do resto.
Semana passada, mais uma troca bacana: comecei a dar aulas de música para uma amiga, em troca de umas aulinhas de costura. Quero fazer umas cortinas para a casa, dar uma de esposa prendada e fazer umas barras de calça para o maridão, aproveitar uns retalhos, coisas assim, simples mas muito úteis no dia a dia. (Como minha avó está morando mais longe de mim, os encontros com ela ficaram mais limitados, infelizmente.) Detalhe: no fim do horário combinado, ela me convidou para almoçar e ainda me deu uns bons punhados de cogumelos desidratados que eu a-do-ro.
E tem mais: estou lendo o livro A Marcha para o Oeste – A Epopeia da Expedição Roncador-Xingu, dos irmãos Villas-Boas. Empréstimo de amigo. Só este ano já li uns três livros emprestados, pelo menos. Isso sem falar nos filmes que emprestamos ou que viram pretexto para reuniões à beira da lareira na casa de alguém…
Ah, e tem também os móveis que brincam de Escravos de Jó por aqui, mudando de casa de tempos em tempos: sofá-cama, futon, fogão, estante e até tábua de passar roupa. Aqui, vale abrir parênteses. Não passo roupa há anos e anos. Nenhuma peça. Para que eu iria querer manter uma tábua dessas na lavanderia? Dei para uma amiga – junto com a raquete de squash do meu pai ( que nem sei como veio parar aqui), um escorredor de louça e outros objetos que ela disse seriam úteisa. Ótimo!
Olha, eu até teria outras histórias, mas acho que já deu para pegar o espírito da coisa, não? Tudo isso aconteceu em duas ou três semanas, e sem que eu gastasse um centavo. Somente trocas e doações. E quando a prática se torna mais frequente, vão surgindo novas ideias de trocas, novas maneiras de compartilhar conhecimentos e produtos, enfim, uma teia mais forte é criada, baseada na solidariedade, na intenção de crescer junto, de nos ajudarmos mutuamente a sermos mais autônomos e mais independentes de modismos. Experimente!
Foto: eu e minha mais nova companheira, Naná. Ela apareceu por aqui e não resistimos: resolvemos adotá-la. Assim mesmo, sabe, sem ter que comprar de um canil ou pet shop… (A Sofia, minha vira-lata de mais idade, ainda está se adaptando à novidade…)

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