Entrevista com Ronaldo Gomes Alvim / Interview with Ronaldo Gomes Alvim



Entrevista com Ronaldo Gomes Alvim
"Quem aprende a entender a Ecologia Humana, jamais vai fazer um trabalho na sua área de formação, pois aprendemos a ter uma visão meio social, meio biológica, meio geográfica, meio histórica"

Interview with Ronaldo Gomes Alvim
“Those who seek to understand human ecology will never be working in one limited area of knowledge; it is necessary to have a global approach that encompasses aspects of sociology, biology, geography and history.”

Entrevista realizada por Bruno Cavalcante para a EDUFAL*

Interview translate by Denise Cressman - CA

1 - Esse livro é o seu primeiro lançamento?

Sim é meu primeiro livro, embora eu queira já dar alguns retoques no futuro que ainda não decidi quando começar que é introduzir ao material, algumas especificidades a mais da Ecologia Humana em relação às etnociências e modelos de metodologia a ser aplicada ao estudo nesta área. Depois disto, bom, penso sim em fazer outro na área.

Is this your first book launch?
Yes, it is my first published book, even though I would like to put some finishing touches on it in the future. I haven’t yet decided when I would start to re-work the book to introduce some additional considerations in human ecology, namely in relation to ethno sciences and methodological models that could be applied to this area. After this, I think I would like to do something in a different area of ecology.


2.      Como se deu o processo de elaboração do livro? Ele é fruto de pesquisas suas anteriores? Levou quanto tempo para tê-lo pronto?

O livro é parte de um conhecimento que vim adquirindo ao longo da minha experiência profissional. Tive a oportunidade de começar a escrevê-lo em Porto Rico em 2005 quando eu trabalhava como professor visitante na Universidad Metropolitana de San Juan. De lá pra cá, fiz algumas interrupções na escrita por considerar que faltava literatura suficiente para eu me embasar, por isto digo que tive que trazer livros do estrangeiro para poder terminá-lo. Assim, eu diria que em si ele não é fruto de pesquisas e si de observações que fui fazendo ao longo da minha vida profissional e das minhas andanças pelos países onde trabalhei e estudei. Mas o que mais me fez tirá-lo de mim foi dar ao leitor uma leitura pouco explorada em nível de Brasil já que tem apenas 3 autores que publicaram em períodos anteriores.

What was involved in the writing process of your book? Was it the fruit of your previous research? How much time did it take to complete?

The book grew out of the knowledge I had been acquiring throughout my entire professional life. I had the opportunity to start writing it when I was a visiting professor in Porto Rico in 2005 at the Metropolitan University of San Juan. Since then, I worked on it sporadically because there were moments when I felt that there wasn’t enough scientific literature available to support my ideas. Essentially, I had to bring books home from abroad in order to finish it. So, I would have to say that the book is not only the fruit of the research and observations from my professional career, but also from my travel and studies abroad. However, what drew the book out of me the most was my desire to give readers exposure to a relatively unexplored theme in Brazil. Only 3 authors had previously written about this type of research in academic journals.


3.       Qual o objetivo do autor com essa obra?

Em primeiro lugar é a completa falta de literatura no Brasil. Tem livros hoje no mercado, é verdade, mas vejo mais pelo lado biológico, embora seja importante. Queria dar um ar social ao biológico e, além disto, como disse anteriormente era poder dar ao público acadêmico ou não, uma leitura diferente, interdisciplinar e que pudesse dar pra pensar sobre o cotidiano. Assim procurei trabalhar com um vocabulário mais simplista, de fácil acesso a todos para que pudessem realmente entender.

What was your objective with this work?

First and foremost, I was driven by the complete lack of literature on the subject in Brazil. It’s true that there are published books on the environment, although they’re written more from a biological point of view. While this approach is important, my goal was to add a social dimension to biology, and as I mentioned previously, to expose the public- academic or not – to a different type of reading that would be interdisciplinary and inspire them to reflect on their daily lifestyle. As such, I sought to work with a simpler vocabulary that would be easily accessible to anyone who was interested in really understanding the issues.


4. O livro traz algum diferencial em relação às obras de mesma temática? Qual?

Acho difícil responder esta pergunta, pois vejo que a tendência de cada autor escreve de uma forma, de acordo com sua profissionalização. Considero que no meu livro dou uma contribuição a mais ao que existe no mercado, explorando mais o termo e alguns valores da ecologia e política.

What does the book add to the existing literature on the topic?
I find it difficult to answer this question since I’ve noticed the tendency of authors to write according to their own professional biases. I think that my book contributes something new to the existing literature in that it explores more the intertwining values of ecology and politics.


5.       Como as temáticas são abordadas no livro? Como ele é dividido?

No meu caso eu tentei trazer, embora com limitado conhecimento que tenho da sociologia por não ser minha área de formação à biologia e políticas internacionais que tratam sobre sustentabilidade, tentando dar um valor da compreensão ética do indivíduo para o coletivo e, por fim, discuto a questão da sustentabilidade, se esta é factível ou não. 
Eu diria que o livro tem três pontos principais: o primeiro que vai descrever o que é Ecologia Humana, seu surgimento, sua função e os grandes pesquisadores que a originaram. Em segundo lugar, exploro a biologia, matéria de minha formação profissional. Pego alguns conceitos que são importantes para serem discutidos como o crescimento populacional, disponibilidade de recursos e espaço. O terceiro ponto é sobre a insustentabilidade da proposta da sustentabilidade que a meu ver, dentro dos padrões de consumo, produção e valores sociais, é impossível chegar a um acordo, mesmo o porquê, acredito eu, que analisando o segundo tópico, vai entender que pela visão ecológica não tem como isto acontecer.

How did you approach the themes of your book? How is the book organized?
I first approached the book by trying to connect the limited knowledge I had of sociology to biology, considering that the former subject is not in my academic background. I also brought in the theme of international politics and sustainable development in order to highlight the ethical relationship between the individual and the collective. Finally, I tackled the question of sustainable development and whether or not it is viable. Overall, I would say that the book has three main sections. First, I discuss human ecology, its emergence and role, and the great thinkers behind this interdisciplinary field of study. Secondly, I explore biology which is my professional background. The third area is devoted to the unsustainability of the sustainability debate, which is, in my opinion, inextricably linked to consumption patterns, production, and social values. I conclude by saying that that it is impossible to reach a compromise between all these conflicting viewpoints, and that by analyzing the second topic, we can agree that an ecological vision isn’t going to happen in the near future. 


6.       O senhor atua em pesquisa e ela contribui para o livro? Caso sim, de qual forma?

Eu costumo dizer aos meus alunos que quem aprende a entender a Ecologia Humana, jamais vai fazer um trabalho na sua área de formação, pois aprendemos a ter uma visão meio social, meio biológica, meio geográfica, meio histórica e por aí vai. Assim, eu trago sim a Ecologia Humana para o campo, na minha pesquisa. o difícil é saber onde termina a análise da comunidade, mas o mais difícil são as pessoas darem valor ao que se escreve, pois consideram uma escrita muito ampla.

Since you’re an academic researcher, did this play a role in shaping the book? If so,  how?

I always tell my students that those who seek to understand human ecology will never be working in one limited area of knowledge; it is necessary to have a global approach that encompasses aspects of sociology, biology, geography and history. That is the way to move forward. As such, my contribution is to bring human ecology into the field through my research. The challenges of this task are to know where to end the analysis of the community and to have the written work valued by others since it is quite complex. 


7. Qual é o aporte teórico que a obra está sustentada?

Minha obra se sustenta sobretudo nos grandes pensadores da Ecologia Humana como Mackenzie,Woodgate, Dunlap, Burgess, Park e muitos outros.

What is the theoretical framework on which you based your book?

My work is based on the ideas of the great thinkers in Human Ecology such as Mackenzie, Woodgate, Dunlap, Burgess, and Park amongst others.


SOBRE O LIVRO:

ABOUT THE BOOK:


1.      Qual o campo de interesse da Ecologia Humana?

Difícil dizer pois não existe um campo e sim CAMPOS que tentam trabalhar o a tríade indivíduo-ambiente-coletividade, mas a questão como e quando atuar sobre a ótica da Ecologia Humana que trabalha com outras áreas do conhecimento acadêmico, integradas em parte ou no seu todo, como a sociologia, biologia, geografia, história, filosofia. Este é o ponto chave.

What has been the level of interest in human ecology in the field?
It is hard to say since there doesn’t really exist one field in particular; it is more a question of fields that try to work through the individual-environment-collective triad. The real question, though, is how to act through the ethical lens of human ecology and to collaborate with other academic areas that could complete the picture, partially or entirely, namely with reference to sociology, biology, geography, history and philosophy. This is the key point.


2.      Como surgiu o interesse de trabalhar com essa temática?

Eu tinha recém chegado da Venezuela onde fiz meu mestrado em Educação Ambiental e um curso de pós-graduação, UEMG de Belo Horizonte me convidou para dar aulas nesta área. Foi um desafio pois meus conhecimentos eram escassos, mas valeu a pena, hoje colho os louros e agradeço a eles por isto.

How did your interest develop in this particular theme?

I had just returned from Venezuela, where I had completed my Masters in Environmental Education, when I was invited to teach a post-graduate course in human ecology at the State University of Minas Gerais. It was quite the challenge because my knowledge in this area was sparse. However, it turned out to be a worthwhile endeavour from which I’m still reaping the benefits and I thank them for having given me that wonderful opportunity.


3.      O livro propõe uma passagem da visão acadêmica aos temas atuais. Então, como podemos sentir na prática os conhecimentos teóricos?

É uma questão de internalização de nossas ações, isto é, tudo o que fazemos é parte de um resultado histórico de educação formal e informal e não nos damos conta do quanto afetamos nosso entorno e os organismos à nossa volta. Um ato tão mecânico que ainda julgamos aos demais que cometem os mesmos erros que aquele que cometemos.

The book offers a bridge from an academic vision to current realities. So, how can we put the theoretical knowledge into practice?

It is a question of internalizing our actions, in addition to acknowledging that everything we do is a result of our upbringing, formal and informal, and that we don’t think enough about the effects of our actions on our surroundings and the life around us. Thoughtless mechanical gestures can sentence us to repeating the errors of the past.


4.      Considerando a evolução histórica, como o homem tem interagido com o ambiente?

Como qualquer ser vivo do vírus ao ser humano. Alimento em abundancia, espaço e saúde, qualquer organismo tende a crescer e multiplicar. Aí voce poderá dizer: puxa mas somos racionais! bom, se somos tão racionais como falamos poque não mudamos nossas ações? porque guerreamos? porque desmatamos além da capacidade de suporte do meio natural? porque pescamos mais que a capacidade de reprodução dos peixes? Assim, vejo que não será o homem que vai controlar seu consumo e sim o meio natural, volto e digo, como qualquer ser vivo.

From a historical perspective, how do you think humans have interacted with their environment?

As any living organism would who happens to be human. We have food in abundance, physical space and health, any living organism is bound to grow and multiply in those conditions. And then we exclaim: Wow! Aren’t we rational? Right, if we’re as rational as our words convey, why don’t we change our actions accordingly? Why do we engage in war? Why do we deforest our natural environment? Why do we overfish? In my mind it’s not humans who will control their consumption, but that the deterioration of the natural environment will remind us of what it means to be alive.  


5.      Que propostas você pode levantar para conscientização para um desenvolvimento sustentável?

Primeiramente conscientização não traz mudança, quer ver? Se você fuma, sabe (ou tem consciência) que o cigarro faz mal pra saúde, mas fuma. A questão é mais forte, é uma postura e vontade de mudar não para mostrar aos demais, mas pra satisfazer a você mesmo. E mais, quando alcançaremos o desenvolvimento sustentável? Quando um americano consumir menos, dando oportunidade para que outros consumam também. Sabe quando isto vai acontecer? Rs

What proposals would you make to raise awareness of sustainable development?

Firstly, awareness does not necessarily bring about change, right? You might smoke knowing full well that smoking is bad for your health, yet you continue to do it. The question goes beyond a simple awareness; a person has to take the stance of wanting to change from within and not just for the sake of showing it to others. When will we actually achieve sustainable development? When Americans consume less, thereby giving others the opportunity to consume as well. Does anyone know when this will really happen?

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