Ecologia Humana

* Aluizio J. Rosa Monteiro Jr.
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Todo o universo está baseado em um princípio fundamental, ou seja, o da unicidade e da inter-relação entre todas as coisas. Até agora, a ciência e a civilização contemporânea triunfaram dando às costas à inter-relação das diversas partes da natureza, isolando cada segmento dela a fim de poder analisa-lo e dissecá-lo por separado, e chamando a este procedimento de "Ciência". Agora, devemos enfrentar o fato de que nossas necessidades e as fontes que podem satisfazê-las estão inter-relacionadas com as outras partes da natureza, animadas e inanimadas.

Este principio de que se deve ver o meio ambiente como uma unidade complexa em que tudo está inter-relacionado, só pode ser completo se também abarcar o homem, e os planos psicológicos e espirituais da realidade e, portanto, em último termo a Fonte de tudo quanto existe.
Se a esfera terrestre caiu no perigo da desordem e o caos, é devido precisamente ao fato de que desde há vários séculos o homem ocidental vive como um ser puramente terreno, e trata de desvincular seu mundo terreno de qualquer outra realidade que o transcenda.
As atuais considerações ecológicas podem superar algumas das barreiras que criaram os estudos separativistas e compartimentalizados sobre a natureza, mas não podem resolver os problemas mais profundos que envolvem o homem mesmo, pois é precisamente o homem quem perturbou o equilíbrio ecológico mediante fatores de caráter não biológicos. A rebelião espiritual do homem contra o Céu contaminou a terra, e nenhuma tentativa de retificar a situação criada sobre a terra pode ter pleno êxito sem que a rebelião contra o Céu chegue a seu fim.
Só a Ecologia Humana, baseada em princípios metafísicos, pode restabelecer a harmonia entre o homem e a terra ao estabelecer em primeiro lugar a harmonia entre o homem e o Céu, entre o homem e o homem e do homem para consigo mesmo, e deste modo transformar a atitude ambiciosa e ávida do homem para com a natureza que é a base da exploração temerária dos recursos naturais, em uma atitude combinada e fundamentada na contemplação, na compaixão, na simplicidade e na cooperação.
O homem é o veículo da graça para a natureza; através da sua participação ativa no mundo espiritual, ele traz luz para o mundo e para a natureza. O homem é a boca através da qual a natureza respira e vive. Devido a intima conexão entre o homem e a natureza, o estado interior do homem se reflete na ordem exterior (no mundo e no meio ambiente).
O homem vê na natureza o que ele mesmo é - e assim penetra no significado interior dela - desde que seja capaz de buscar nas profundezas interiores de seu próprio ser. É a capacidade de perceber a transparência metafísica dos fenômenos. Os homens que vivem na superfície de seu ser, só podem estudar a natureza como algo que tem que ser manipulado e dominado.
Lembremos que a contemplação, que permitiu que o elemento qualitativo e espiritual da natureza, que constitui a fonte da beleza - pois como dizia Platão "a Beleza é a expressão da Verdade" pudesse refletir-se nos mais belos jardins japoneses ou persas e nas obras de caráter similar, estão baseadas em um Conhecimento Tradicional, Espiritual e Universal. Aplicando-se esse conhecimento tradicional como a geografia sagrada e a geosofia, os chineses, os japoneses, os persas, os gregos, e os árabes construíram alguns dos mais belos edifícios, jardins e paisagens urbanas imagináveis.
Existe a necessidade de se redescobrir a natureza virgem como fonte da verdade e da beleza, no sentido intelectual mais estrito, e não meramente sentimental. A natureza deve ser vista como uma afirmação e uma ajuda na vida espiritual, e até como meio da Graça. Uma vez mais deverá converter-se em um meio de recordação do Paraíso e do estado de felicidade que o homem busca essencialmente.
O redescobrimento da natureza virgem não significa um vôo do homem individualista e prometeico em direção à natureza. Enquanto se encontrar no estado de rebelião contra o Céu, o homem leva consigo suas próprias limitações, até quando se volta para a natureza. Estas limitações velam a mensagem espiritual da natureza para ele, ou seja, a transparência metafísica dos fenômenos, não permitindo que ele extraia proveito desta inter-relação.
É deste modo que o moderno cidadão urbano em busca da natureza virgem leva consigo os elementos que a destroem, e como conseqüência destrói ao homem que a está buscando.
O redescobrimento da natureza virgem com a ajuda de princípios Tradicionais, Espirituais e Universais significa uma reunificação do significado simbólico das formas naturais e o desenvolvimento de uma simpatia espiritual para com a natureza, possibilitando a restauração do homem em seu lugar central no cosmos.
No plano da ação operativa, isso significa antes de tudo atuar sempre segundo a verdade, a simplicidade e de acordo com o princípio da unicidade e da transcendência de todas as coisas.
O homem de hoje necessita resgatar uma antiga/nova visão de si, da natureza e de sua própria relação com ela para poder sobreviver, inclusive fisicamente. Sendo o homem potencialmente o agente consciente e transformador do ambiente em que vive, - neste mundo moderno, materialista ( cultuador da ciência e do progresso ) e industrialista em degeneração - é necessária uma atitude simples e responsável para consigo mesmo, no sentido de se conhecer como Ser Humano integrante de um Cosmos hierarquizado e Universal.
Assim Ecologia Humana significa o homem curar a si mesmo, para curar o ambiente e a natureza. Curar significa equilíbrio, responsabilidade para consigo, harmonia e consciência de sua função na sociedade e no cosmos, em sintonia com os ensinamentos das grandes Tradições Espirituais da humanidade.
Tudo isto requer a busca da simplicidade da vida, ou seja, educação apropriada, alimentação equilibrada, informação adequada e seletiva, moradia confortável e viva, saúde consciente, contemplação da natureza e da beleza, e alegria de viver numa relação harmônica, inteligente e compassiva de ser humano para com ser humano.
Ações baseadas nestes princípios em um país onde a natureza parece insondável e inesgotável em sua majestosa exuberância, podem e devem ser frutíferas levando em consideração as questões expostas anteriormente.

A partir disto alguns temas podem ser sentidos, pensados, conversados e implementados como uma forma de contribuir e propiciar a consciência de Ser e o desenvolvimento do homem de hoje.

* O autor e membro do Conselho Político do Partido Verde do Estado de São Paulo e presidente do PV Bragança Paulista
Fonte: www.pv.org.br

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