Um bilhão de pessoas passa fome, enquanto a comida é jogada no lixo

"Desperdício de alimentos é mais do que suficiente para acabar com o flagelo global"  *

Quase um bilhão de pessoas, em várias partes do planeta, passam fome diariamente. E o problema maior nem é a escassez de alimentos, alerta o pesquisador e diretor técnico do Projeto Fome, Fábio Vitta. A questão está no desperdício, diz ele, que apresentou, nesta sexta-feira (25/10) dados no painel “Resíduos de alimentos, desperdício e combate à fome” no segundo dia da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, que vai até domingo (27/10), em Brasília, sob a organização do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

De acordo com o relatório do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado dia 16 de outubro, de 30% a 50% de tudo o que o mundo produz em alimentos vão parar em lixões e aterros sanitários, são incinerados ou servem de alimento a animais. Para Fábio Vitta, o debate é uma oportunidade para mobilizar governo e entes sociais pela responsabilidade social e zelo ao meio ambiente. Ele acredita que a união de forças e o estabelecimento de objetivos comuns podem gerar soluções ambientais e sociais economicamente viáveis, envolvendo a indústria de alimentos e supermercados.

DIGNIDADE

Na plateia, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, confirmou a seriedade do problema e a urgência de se propor soluções de curto prazo: “Há uma relação injusta na proporção da produção de alimentos e do quanto a gente desperdiça, por isso precisamos compartilhar experiências exitosas, pois a fome é um problema que a gente pode solucionar, situação que os catadores conhecem bem”, disse. “O desafio é monumental e colocar fim à fome é uma questão de dignidade e cidadania”.

De acordo com a representante da Plataforma Sinergia, Rosana Perroti, é urgente reduzir o desperdício de comida, pois tem muita gente passando fome no mundo e uma pessoa com fome não estuda, não gera renda nem consome. “Precisamos compor forças e gerar soluções”, afirmou. 

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo gasta, por ano, cerca de R$ 534 bilhões na tentativa de amenizar o problema da fome. E a perda de alimentos chega à casa dos R$ 1,5 trilhão. A falta de nutrição, lembra Rosana Perroti, gera um prejuízo cerebral irreversível. “A solução é levar os 50% de alimentos que vão para o lixo para o prato de quem tem fome, tendo por base um modelo capaz de atender à demanda ambiental e social”, salientou. Ela lembrou que alimentar os famintos reduz custos públicos e privados associados, elimina impactos ambientais, gera renda para as cooperativas e evita o desperdício de recursos naturais”.

SEM COR

O presidente da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Maurício Groke, lembrou: “Estamos falando de resíduo alimentar”. Nesse sentido, a indústria conta com a ajuda da ciência química, explicou o presidente regional da empresa Novozymes América Latina, Pedro Luiz Fernandes. Ele acredita que, no Brasil, o desperdício é uma questão cultural e depende de educação. 

O sócio da Deloitte Touche e Tohmatsu, empresa de origem inglesa, Ives Muller, chamou a atenção para um detalhe: “Fome não tem cor, raça, religião nem nacionalidade”, com o endosso do diretor geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi. “Estamos todos sujeitos à fome em situação de catástrofe ou guerra”, insistiu o presidente da Confederação Nacional do Turismo (CNTUR), Nelson de Abreu Pinto.

extraído da página do Ministério do Meio Ambiente

MEMBROS DA SABEH E DO PPGECOH PARTICIPARAM DA MAIOR CONFERÊNCIA DE ECOLOGIA HUMANA NO MUNDO


 

Com Iva Pires e Gerry Marten, Expoentes da Ecologia Humana Mundial

A Ecologia Humana já é um campo de conhecimento enraizado em diversas partes do mundo. Ainda não há consenso se ela é uma ciência, disciplina ou paradigma científico. Trata-se de uma área multidisciplinar que tem como foco o estudo da espécie humana nas suas interações com os ecossistemas, culturas e sociedades.

Destaca-se nesse cenário o Círculo Europeu de Ecologia Humana e os centros de pesquisas e universidades na Europa que trabalham com Ecologia Humana. A grande referência mundial, hoje, é a Sociedade Norte-Americana de Ecologia Humana (SHE), nos Estados Unidos, onde surgiu o campo da Ecologia Humana nas primeiras décadas do século XX, na Escola de Chicago.

Além desses dois grandes espaços, há universidades e centros de pesquisas  de Ecologia Humana na América Latina, África e Ásia. No Brasil, o Programa de Mestrado em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental é único no nosso país onde existem, também, centros e grupos de pesquisas no Norte, Nordeste,  Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil.

Destaca-se como baluartes dessa área de conhecimento em nosso país o trabalho pioneiro de Donald Pierson da USP, Ávila Pires da UFSC, Alpina Begossi e Geraldo Marques da UNICAMP. O Brasil é uma referência internacional na Ecologia Humana porque o papa da Ecologia Humana mundial, Emílio Moran, desenvolveu seus estudos na Amazônia durante  mais de 30 anos. Destaca-se das suas obras o livro Ecologia Humana das Populações da Amazônia.

REPRESENTANDO O PPGECOH  E A SABEH


Luciano e Rich Borden, Ícone da Ecologia Humana no Mundo
A UNEB é responsável pelo único programa de pós-graduação strictu sensu nessa área do conhecimento no Brasil e já tem uma proposta de doutorado em Ecologia Humana para ser apresentada à CAPES. Por integrar o corpo docente do PPGECOH e também serem membros fundadores da SABEH – Sociedade Brasileira de Ecologia Humana, os Professores Juracy Marques e o Luciano Bomfim, estiveram apresentando seus trabalhos de pesquisa na XXI Conferência Internacional da Sociedade Norte-Americana de Ecologia Humana (SHE), que aconteceu na Califórnia – EUA, de 12 a 15 de abril de 2016.

Antes, foram convidados pelo doutorando Brasileiro Gabriel Locke, para participarem das discussões sobre a obra de Kalyan Sanyal, no Grupo de estudos sobre Ásia do Sul, Subcontinente Indiano, do doutorado em Sociologia da Universidade da Califórnia – Los Angeles.




Grupo de estudos sobre Ásia do Sul do doutorado em Sociologia da UCLA

Neste evento também estavam presentes Akhil Gupta, autor do livro Poscolonial Developments: Agriculture In The Making of Modern India e o pesquisador Philippe Burgois, ambos pesquisadores  da UCLA.

As discussões giraram em torno da existência da cumulação primitiva no capitalismo contemporâneo, considerando aquela improdutiva para o capital. Ainda paira a dúvida se essa análise se aplica a todos os modos de vida  dos povos e comunidades tradicionais.

AS CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS DA SOCIEDADE NORTE-AMERICANA DE ECOLOGIA HUMANA (SHE):

As Conferências Internacionais da Sociedade Norte-Americana de Ecologia Humana (SHE), a maior do mundo nessa área do conhecimento, possibilitam encontros memoráveis como o contato com o Ecólogo Humano Gerald Marten, autor do livro Human Ecology: Basic Concepts for Sustainable Development. Outra presença marcante desse encontro foi a de Richard Borden que, além de ter sido um dos Presidentes mais atuantes da SHE é autor do livro Ecology and Experience: Reflections from a Human Ecological Perspective.

Nesse encontro o Prof. Juracy Marques apresentou o trabalho Ecology, Soul, Body and Human Spirit: An Epistemology to think the Human Ecology, onde sustenta que a dimensão da espiritualidade é parte integrante das percepções sobre a natureza de diferentes grupos humanos, sobretudo povos e comunidades tradicionais, e devem integrar as análises no campo da Ecologia Humana.

Robert Duball,  atual Presidente da SHE, Juracy Marques e Albina Begossi

O Prof. Luciano Bomfim apresentou o trabalho In Brazil, is Human Ecology a Scientific Paradigm, or Another Kind of Emerging Science, onde discute se a Ecologia Humana é uma ciência ou um paradigma científico. Analisou essa perspectiva a partir da ótica de Ecólogos Humanos do Brasil.

Sessão de Apresentação de trabalhos

A comitiva brasileira ficou completA com a presença de Larissa Malty que faz doutorado em Ecologia Humana na Universidade Nova de Lisboa - Portugal, de Juarez Pezzuti da Universidade Federal do Pará e da Profa. Alpina Begossi, o nome mais conhecido da Ecologia Humana no Brasil.

Brasileiros na SHE

O pioneirismo desses intelectuais brasileiros  se conectam a uma rede muito grande de pesquisadores e instituições em todo o mundo e fortalecem  e representam o Brasil  que, gradativamente, vem estruturando a Ecologia Humana com uma fisionomia bem singular se comparada às grandes produções científicas nesse campo de conhecimento  no mundo.


Local da próxima Conferência da SHE


A  XXII Conferência Internacional da Sociedade  Norte-Americana de Ecologia Humana (SHE),  ficará sob a organização da Faculdade de Ecologia Humana da Universidade das Filipinas Los Baños. A presença massiva de mais de 20 de ecólogos humanos das Filipinas foi determinante para a definição do local da próxima conferência.

Durante o evento, os representantes do Brasil na SHE convidaram diversos pesquisadores do campo da Ecologia Humana internacional para ministrarem conferências no Brasil. A partir do segundo semestre desse ano o PPGECOH estará organizando conferências no Brasil com a presença desses pesquisadores, a começar por  Gerry Marten.