Combinar fertilizantes químicos y biológicos daña la respuesta de las plantas al estrés

extraído de: Ecoportal 

Las plantas tienen la capacidad de adaptarse a ciertos tipos de estrés, por ejemplo, debido a la temperatura o a un exceso o falta de agua, y ocurre lo mismo con la salinidad. Sin embargo, una reciente investigación de la Universidad de Salamanca y el Instituto de Recursos Naturales y Agrobiología de Salamanca (IRNASA-CSIC) indica que esa respuesta puede verse afectada en una situación muy concreta pero que puede ser muy habitual hoy en día, la combinación de fertilizantes químicos y biofertilizantes. En ensayos realizados en invernadero con plantas de tomate los ejemplares con esa doble fertilización no respondieron de forma adecuada a la sal.
Los científicos realizaban experimentos en los invernaderos relacionados con otra investigación cuando observaron algunas anomalías y decidieron centrarse en ensayos relacionados con la salinidad. El objetivo era comparar las respuestas a la sal de plantas de tomate tratadas con un fertilizante de tipo NPK –que tienen en su composición nitrógeno (N), fósforo (P) y potasio (K)- y con un biofertilizante que incluye al hongo Trichoderma harzianum.
En situaciones como las que provoca el estrés salino, el sistema de fitohormonas modifica los niveles de las plantas para adaptarse, la planta cierra sus estomas para no perder agua y detiene temporalmente su crecimiento. En este caso ensayo, tanto las plantas tratadas con el fertilizante NPK como las tratadas con el fertilizante biológico pudieron adaptarse y realizar esta adaptación y, finalmente, conseguir desarrollarse y alcanzar una buena altura.
“La sorpresa fue cuando combinamos ambos tipos de fertilización en esta situación de estrés salino”, explica a DiCYT Rosa Hermosa, investigadora del Instituto Hispano-Luso de Investigaciones Agrarias (CIALE) de la Universidad de Salamanca. “Las plantas continuaban creciendo, pero habían perdido muchísima agua y estaban colapsadas, no se habían adaptado”, señala.
Los investigadores miden numerosos parámetros, como la altura y el intercambio gaseoso, que incluye aspectos como la fotosíntesis y la concentración de CO2 en los espacios intercelulares. La contribución del IRNASA ha consistido, precisamente, en la realización de estas medidas de intercambio gaseoso, según explica la investigadora Rosa Morcuende.
También ha sido fundamental estudiar la respuesta molecular. “Hay una fitohormona denominada ácido abscísico o ABA, cuyos niveles se disparan en la planta en respuesta a estreses abióticos, incluido el salino”. Sin embargo, las plantas de tomate del tratamiento combinado, fertilizante NPK y T. harzianum, mostraron bajos niveles de expresión de genes relacionados con ABA y etileno en respuesta a un estrés moderado de sal. En dichas plantas, “los niveles de varias fitohormonas estaban absolutamente desregulados y ellas seguían creciendo como si no hubiera estrés salino”, comenta la experta.

Sobreestimulación

En definitiva, las plantas reaccionan perfectamente cuando son tratadas con un solo tipo de fertilizante, pero no cuando estos se combinan. “Creemos que el problema puede ser la sobreestimulación”, apunta la investigadora. Es probable que en esta situación ante otros tipos de estrés, como el hídrico o las temperaturas extremas, las plantas también colapsen, puesto que la fitohormona ABA también es esencial para responder en estos casos, pero hasta ahora no se ha podido comprobar.
Este resultado, publicado en Frontiers in Plant Science, tiene importantes consecuencias para la agricultura, teniendo en cuenta las tendencias actuales. El problema de los fertilizantes habituales es que contienen elementos como el nitrógeno, que es muy contaminante y acaba en la atmósfera o en acuíferos mientas que las plantas solo aprovechan entre un 10 y un 30 por ciento. Por eso, Europa trata de apostar por los productos biológicos, que contienen bacterias y hongos que también son capaces de beneficiar a los cultivos, eliminando patógenos o promoviendo el desarrollo vegetal.
Sin embargo, en época de transición y teniendo en cuenta que se utilizan grandes cantidades de estos productos, es probable que muchos agricultores puedan llegar a mezclar unos y otros. En ese caso, esta investigación indica que las consecuencias pueden ser negativas para los cultivos.
Referencia bibliográfica
The Combination of Trichoderma harzianum and Chemical Fertilization Leads to the Deregulation of Phytohormone Networking, Preventing the Adaptive Responses of Tomato Plants to Salt Stress. M. B. Rubio, Rosa Hermosa, Rubén Vicente, Fabio A. Gómez-Acosta, Rosa Morcuende, Enrique Monte and Wagner Bettiol. Front. Plant Sci., 02 March 2017 https://doi.org/10.3389/fpls.2017.00294

Malthus revisitado

* Texto de Eduardo Pegurier extraído do ((o))eco

Segundo um amigo que é professor de história do pensamento econômico, o reverendo Robert Malthus é o único economista clássico cujas idéias os alunos conhecem antes do curso. A maioria está familiarizada com sua principal análise, aquela que prevê um crescimento da população humana a uma taxa exponencial, enquanto a quantidade de comida cresce a uma taxa linear. Assim, Malthus previu que as sociedades nunca enriqueceriam, pois viveriam sempre à margem da fome.
Malthus errou. Pelo menos de data. Em 1800, existiam cerca de um bilhão de seres humanos. Foram precisos os mil anos anteriores para que, da base de 500 milhões, a população dobrasse. A partir daí, a coisa endoidou. Nos dois séculos que se passaram após a revolução industrial a quantidade de gente cresceu a um ritmo acelerado até os atuais 6,6 bilhões. Em paralelo, a expectativa de vida dobrou. Só no Brasil, da década de 80 para cá, ela aumentou quase dez anos. É muita coisa. Esses sinais só podem indicar um aumento de bem estar.
Não dá para continuar dobrando para sempre. Mais cedo ou mais tarde, esbarraremos nos limites dos recursos naturais. Felizmente, as taxas de crescimento populacional estão despencando no mundo inteiro. Cada vez que os números são reexaminados, as previsões caem. Por aqui, números que acabaram de ser divulgados pelo IBGE mostram que até no campo a taxa de natalidade está caindo. Em algum momento entre 2030 e 2060, a população brasileira começará a diminuir. Na Europa, a população já está encolhendo, e a previsão é de uma população 30% menor até meados do século. Em alguns países da União Européia, já existem mais idosos do que crianças.
Onde foi que Malthus e seguidores modernos, como Paul Erlich (autor do livro “A bomba populacional”, em 1968) tropeçaram? Bem, segundo Ross Emmett, economista especializado em história econômica, o pobre Malthus não merece a fama que tem. Sua demonização é obra dos seus opositores no debate intelectual da época, como Thomas Carlyle e Robert Owen. Embora Malthus tenha, de fato, lançado sua profecia sombria, anteviu a possibilidade de que ela não ocorresse caso os incentivos corretos estivessem em ação.
Segundo Emmett, desde que Adam Smith formalizou a economia como uma ciência separada das discussões morais, dois tipos de pensamento se tornaram distintos e brigam até hoje. De um lado estão aqueles que acham que a natureza humana pode ser moldada. Do outro, os que acham que a natureza humana é dada. Mudá-la está fora do poder dos governantes. O que se pode fazer é compreendê-la e desenhar ou esperar o desenvolvimento de instituições que a levem aos melhores resultados sociais possíveis. Entre os grandes proponentes dessa visão estão Smith, David Hume e John Stuart Mill. No campo dos oponentes, Carlyle cunhou para a economia o apelido “dismal science”, ou ciência sombria. O embate entre os dois grupos já foi chamado da “disputa entre os economistas e os seres humanos”. Claro, Malthus estava no grupo dos economistas.
Qual era a esperança de Malthus para evitar o crescimento populacional desmedido? Contava que a racionalidade humana levasse a prudência na formação das famílias. Se os pais fossem obrigados a se responsabilizar por seus filhos, a maioria faria um esforço para não ter mais descendentes do que pudesse manter. Como além de economista era pastor, pregava que o casamento deveria ser adiado até que o chefe de família estivesse em condições de sustentá-la. Dizia, “a razão interrompe a carreira de um homem, e a ele pergunta se é capaz de trazer outros filhos para o mundo, caso não seja capaz de mantê-los”. Essa foi a profecia malthusiana que deu certo.
O que com certeza não imaginou é que seriam as mulheres, e não os homens, a liderar a contenção. Com a revolução da pílula, que Malthus não viu nem sonhou, se tornaram libertas da reprodução involuntária. No mundo inteiro, partiram para uma participação cada vez maior e mais importante no mercado de trabalho e na política. Filhos passaram a ser gerados por satisfação, e não para sustentar os pais. No Brasil da década de sessenta, cada mulher tinha em média 6 filhos. Hoje, tem cerca de dois. São as mulheres cada vez mais educadas e participantes do mundo moderno que estão nos salvando do risco da superpopulação.